quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

O Senhor dos Atravessados

Mais uma investida dos Marafados, desta vez com o intuito de capturar uns peixes compridos, Sargos e, eventualmente,  Perceves para o petisco, caso o mar deixasse...
Bem cedo as amostras começaram a voar para dentro d´água mas sem sucesso pois a maré ainda não tinha a sua conta. Com a maré um pouco mais vazia, começamos a sentir os primeiros toques mas sem capturas porque o peixe tem sido miúdo e anda arredio da comida de plástico. Passado pouco tempo sinto um peixe que, depois de fazer fixe, veio imediatamente à cara d´água e após algumas maniveladas estava em seco, sem estrabuchar!



Após a captura deste peixe ainda tive mais um ataque com sucesso mas o peixe não tinha a bitola desejada, apesar de ter medida, e voltou à procedência para crescer mais uns bons centímetros. Aqui fica o video da libertação.

video

Com o vento a apertar cada vez mais, decidimos dar por terminada a jornada de corrico e dedicarmos aos Sargos, à chumbica. Após alguma insistência, verificamos que estes também andavam arredios devido ao vento que, entretanto, toldou a água.
Com a maré completamente descascada, resolvi saltar para cima de um atravessado para apanhar uns Perceves mas o mar traiçoeiro e alguma afoiteza minha em chegar-me para a ponta valeram-me uma valente porrada do mar, com dois mortais encarpados à rectaguarda e umas cambalhotas em cima das pedras, que resultaram no cromado riscado e uma rotura no joelho que me irá encalhar no estaleiro durante uns tempos.


Enquanto estou a escrever estas linhas, a Comissão Europeia prepara-se para aprovar uma directiva comunitária que limitará a captura diária de 3 Robalos por pescador lúdico e o tamanho  mínimo de captura será fixado nos 42cm,  sendo que as propostas para acabar com as redes de emalhar, de deriva (alvoradas) e a redução de quotas aos profissionais, entre outras restrições,  ficaram na gaveta.

Saúde, da boa!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Countdown

Mais uma investida dos Marafados, num dia de forte ondulação e mar com uma grande embalagem, em que resolvemos pescar à boia, em altura. As expectativas eram enormes devido às condições apresentadas, principalmente na captura de grandes exemplares.
Demos início à pesca ainda de noite, com boia luminosa, e não foi preciso esperar muito para os primeiros resultados começarem a surgir. Peixe após peixe, o ceirão foi ficando composto.


Com a chegada do aceio da manhã a cadência foi baixando devido à maré, que ia escoando. Ainda sairam mais uns peixes espaçados, com o Nuno a insistir na captura de umas liças arrobaladas, mas não se justificava estarmo-nos a fazer velhos no pesqueiro.


A meio da manhã, com a pesca já realizada, resolvemos levantar ferro e ir até ao café tirar o salitre dos beiços. No final, o resultado foi este que a foto documenta.


Defeso? Só para alguns!

Em contagem decrescente, antes de se iniciar mais um defeso no PNSACV, a situação mantem-se, sem que ninguém faça nada, pois as várias Associações que representam o sector parece que deixaram de existir ou então os seus dirigentes acomodaram-se ao poleiro. Como sempre, quem se lixa é o pescador apeado porque para os restantes (profissionais, embarcados, pesca sub) não existe defeso. Será que não somos todos pescadores e o peixe não é todo o mesmo ou existem pescadores de 1ª e 2ª e o peixe é só para os iluminados? Alterem mas é já rápidamente a Lei porque essa história da "gralha" nunca convenceu ninguém!

Saúde, da boa! ; ))


terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Atuns à pedrada e Espadartes à chumbica

Com o peixe comprido arredio destas paragens, e os poucos que aparecem a não quererem "comida de plástico", resolvi juntamente com o António tentarmos a sorte de forma diferente mas eles não andavam por lá devido à presença de outros predadores de superfície, como os Sarrajões ou Serras (Katsuwonus pelamis, género Thunnus, família Scombridae, subfamilia Scombrinae, tribo Thunnini).


Outro predador de tamanho considerável que também marcou presença foi o Peixe-Agulha (Belone belone), que é um verdadeiro pitéu por terras Algarvias. Com o surgimento deste tipo de peixes ainda se tentou a sua captura à boia mas sem sucesso uma vez que o sol já ia alto.


"Espadarte" alimado, à Algarvia

Existem várias maneiras de confeccionar o Peixe-Agulha (salgado seco, frito, de caldeirada, etc.) mas aquela que considero mais saborosa é alimado. Para tal, amanha-se o peixe, retirando as barbatanas, cabeça, escamas e as vísceras, parte-se às postas e salpica-se com bastante sal, de um dia para o outro.


No dia seguinte, coze-se o peixe durante 5 minutos, escorre-se a água quente e adiciona-se água fria. Retira-se a pele, coloca-se o peixe na travessa, cobre-se com cebola, alho e salsa, rega-se com azeite e borrifa-se com vinagre ou limão, ao gosto do freguês, et voilá!


Bom apetite e haja saúde! ; ))

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Um passeio no Parque

Caros seguidores e leitores,

Num dia destes, combinei com o camarada Carlos ir-mos "passear" a uma pedra do parque natural com o intuito de apanhar uns peixes.

As condições eram de fato propícias para uma ilhada, onde a aguagem era a desejável e o vento completamente ausente.

Nesta altura do campeonato, demos início oficial à iscagem com sardinha pois parece que o peixe nesta fase do ano já despertou para esta isca rainha.

Chegados à pedra ilhada, comecei por mariscar um pouco ( o permitido por lei ) seguindo-se os naturais lançamentos com vinis e artificiais mas.... mais uma vez, não consegui capturar nenhum peixe comprido.

Entretanto, o Carlos iniciou a sua pesca ao sargo e de imediato começaram a surgir os primeiros peixes.


Aproveitando a dita embalagem, juntei-me a ele na pesca ao sargo com as capturas a surgirem a um bom ritmo.

 
À hora do almoço, demos por encerrada a pesca uma vez que o vento e a subida do mar não nos permitiam pescar mais.
 
 
Contas finais e em jeito de balanço... tudo se resume a mais um passeio no parque natural da costa vicentina.
 
Brevemente, chegarão mais relatos das pescas dos marafados.
 
Abraço a todos.
 
NC

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Ilhada e mais nada!

Numa aberta que o mar proporcionou, combinei com o Nuno e o Carlos fazermos uma pesca ilhada. Mais tarde juntou-se o Cris. Antes de iniciarmos a pesca à chumbica ainda tentamos a sorte ao corrico mas o peixe comprido continua arredio destas paragens... Quem não faltou à convocatória foram os Sargos, que encostaram para ratar a pedra mesmo com o mar rijo, desencontrado, com uma grande embalagem e água escaldada dos ventos que carregaram. Foram devolvidos muitos exemplares que, apesar de ultrapassarem em muito a medida minima de captura, não tinham a nossa bitola.


Reflexão anual
Em termos piscatórios, este foi um ano muito inconstante, fruto da escassez de peixe. Não foi por falta de condições climatéricas, que até foram favoráveis (agitação maritima, pluviosidade, temperatura do ar e da água do mar, etc.), que o peixe não abundou mas devido a outros factores, nomeadamente a sobrepesca costeira e a pesca ilegal, dado que se continua a assistir diáriamente à utilização de artes e formas de pescar ilegais, à colocação de artes em zonas interditas, ao arrasto em zonas de postura, ao cerco debaixo da rocha ou à comercialização de pescado abaixo da medida. As situações e os infratores são conhecidos mas a fiscalização, principalmente no mar, parece não existir.
Espero que no próximo ano a legislação sobre a pesca lúdica no PNSACV seja alterada, para que exista um defeso igual para TODOS, porque continua a discriminação dos pescadores lúdicos apeados face aos restantes. Já agora, se a legislação sofrer alterações, espero que não se esqueçam de aumentar os tamanhos minimos de captura para TODOS e se tentarem implementar a polémica Lei da captura diária de um Robalo por pescador, que o façam para TODOS pois só com o esforço de TODOS é possivel contribuir para uma pesca mais sustentavel e garantir a actividade nas próximas gerações.

Saúde e um bom 2015 para TODOS! ; ))