terça-feira, 28 de junho de 2016

Equipamento - Os Cabos

Os Cabos

Na gíria são chamados de cordas mas, em marinharia ou na pesca, tal termo não existe. As únicas cordas que existem são: a corda do relógio, a corda do piano e (a)corda que se faz tarde! O termo correcto é “cabo”.
O cabo é dividido em duas partes: as pontas e o seio, ou seja, todo o prolongamento do cabo ou qualquer porção dele.
De forma a garantir a segurança do pescador ou mariscador, que nunca deve ser descurada, são utilizados cabos de modo a apoiar nas decidas e subidas que requerem maiores cuidados e atenção.
Existem no mercado vários tipos de cabos, com características e preços diferentes. Geralmente, o preço varia em função da qualidade do cabo e do material com que é fabricado, se bem que hoje em dia já se consigam arranjar bons cabos a preços acessíveis. O peso dos mesmos também nos deve influenciar na sua escolha, pois, muitas das vezes, temos que carregar mais do que uma fiada de cabo para o pesqueiro, o que poderá envolver vários lances.
A sua textura é outro dos aspectos fundamentais que temos que ter em consideração aquando da sua aquisição porque existem cabos ásperos (que magoam as mãos), outros mais rijos (que dificultam a sua colocação nos sítios pretendidos) e outros mais absorventes (que ensopam com a água e tornam-se mais pesados).
De entre os cabos mais utilizados, destacam-se os de sisal, os de nylon, os de escalada e os de ráfia.


Sisal
O sisal (Agave sisalana) é uma planta originária do México e é a fibra vegetal mais dura que se conhece. Estes cabos são dos mais antigos e a sua origem remonta ao tempo dos Aztecas. São feitos a partir de fibras naturais e apresentam uma grande resistência. O seu apogeu aconteceu nas décadas de 60 e 70 mas ainda existem alguns pescadores e mariscadores que utilizam este tipo de cabo, nomeadamente os mais idosos, devido ao seu baixo preço.
Estes cabos são muito rijos, ásperos e ensopam com a água, pelo que há muito tempo que deixaram de ser utilizados. O seu peso, o surgimento de outros materiais e a pressão dos ambientalistas poderão ter contribuído para o seu quase total desaparecimento.


Nylon
Como o seu nome indica, este cabo é feito de uma fibra sintética denominada nylon. O seu uso ainda é frequente devido ao seu baixo preço e ao facto de não ensoparem. Já o seu peso e a sua textura áspera fazem com que, cada vez mais, se opte por outro tipo de cabos. Ainda é frequente ver-se este cabo em pesqueiros íngremes, onde desempenha a função de auxiliar.


Escalada
Estamos perante o cabo de eleição e o mais utilizado pelos pescadores! Este cabo é feito a partir de fibras sintéticas, sobretudo nylon, e fibras naturais, como o algodão. O seu interior, onde está a sua força, é revestido por uma “capa” que o protege da fricção com a rocha, evitando desta maneira que se desfie e parta, transmitindo total confiança a quem dele faça uso. O seu elevado preço e o facto de ensopar com a água poderão contribuir para que as pessoas optem por outros cabos no momento da aquisição.


Ráfia
A ráfia é uma fibra natural feita a partir de folhas de palmeira. As suas fibras são entrançadas, gerando um cabo de elevada resistência e leveza. Este cabo tem a particularidade de não ensopar. O seu peso é cerca de 50% menor em relação aos outros cabos. Comparativamente a preços, pode-se dizer que é dos mais baratos. Pessoalmente, considero este o melhor cabo e é o que uso com mais frequência.



Segurança, truques e dicas

-Verifique sempre o estado da estaca ou da pedra onde vai prender o cabo;
-Utilize luvas para ter maior aderência e não ferir as mãos caso o cabo deslize;
-Ao colocar o cabo para descer, tenha sempre atenção para que não se enrole nos pés;
-Deve manter sempre o cabo entre as pernas durante a subida e a descida;
-Nunca devem descer, ou subir, duas pessoas pelo mesmo cabo, ao mesmo tempo, pode algum escorregar e arrastar o outro consigo. Também pode acontecer soltar-se uma pedra e embater na pessoa que vem atrás;
-Isole o cabo nas pontas com fita-cola resistente para não se desfiar;
-Não dê nós porque, ao encolher o cabo, este se pode prender nas saliências e reentrâncias da rocha;
-Para mais fácil transporte, acondicione o cabo em grandes seios, de forma a poder transportá-lo ao tiracolo, ficando com as mãos livres;
-Utilize secções de mangueira, que deve enfiar no cabo, de forma a protege-lo de se danificar ao fazer fricção nas pontas aguçadas e cortantes da rocha.

Fiada ou madeixa de cabo de ráfia
(pode-se observar a mangueira e a ponta do cabo isolada com fita-cola)
Muito importante!

Nunca se aventure em pesqueiros de difícil acesso que não conhece. Vá sempre acompanhado por pessoas conhecedoras e experientes.

Abraço e saudações piscatórias! ; ))

8 comentários:

Cristóvão Veríssimo disse...

Material didático!

Boa leitura eheh

Dalhe aí técnico!!!

Saúde!!

Manuel Oliveira disse...

Boas Paulo,
Excelente POST! 5 Estrelas!! Só falta as coordenadas dos pesqueiros... LOL
Esses cabos trazem-me belas recordações!

Forte Abraço e Aperta com ELAS

Paulo Cabrita disse...

Comé Cris,
Obrigado e aperta ai com as safatas ; )

Saúdinha! ; ))

Paulo Cabrita disse...

Viva Manel,
Obrigado, esqueci-me do GPS LOL
É verdade, há muito tempo que não vamos lá aquele sitio. Ainda me lembro da minha prancha ir à reboleta arriba abaixo. eheheh

Saúde, da boa! ; ))

Alexandre disse...

Boas Paulo bom post eu que pratico esse tipo de pesca, muitas vezes pomos a vida suspensa nesses cabos ,dai termos que ter total confiança neles,eu pessoalmente prefiro os de nylon pena ensopar de agua.
Grande abraço.

Paulo Cabrita disse...

Comé Alex,
Epá, a ráfia é um cabo espectacular: adere bem à mão, macio, não pesa quase nada e barato, tens que experimentar! ; )

Saúdinha! ; ))

Francisco Belo disse...

Mékié Paulo!!
Um grande post e muito bem explicado...
Agora só falta a arriba para descer e subir ;)
Grande e forte abraço

Paulo Cabrita disse...

Viva Xico,
Obrigado! ; )
O que não faltam por cá são arribas pa subir e descer eheheh

Saúde, da boa! ; ))