quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Um olho no burro e outro no cigano

Até à aquisição de uma nova máquina fotográfica, dado que a anterior se avariou nesse dia, fica aqui a última sequência de fotos, tiradas pelo meu Amigo Nuno. Estas fotos, referentes ao último dia antes do início do defeso, retratam os cuidados e perigos associados à apanha de Perceves.
Recorrendo a esta frase popular, e como o título indica, é necessário estar atento ao mar não vá ele pregar-nos uma partida. Da mesma forma que também não podemos perder de vista as pinhas de perceves. Penso que estas imagens falam por si.







As maiores pinhas com os melhores perceves, geralmente, encontram-se em pontas de pedras isoladas e de difícil acesso. Neste caso, o acesso foi feito recorrendo a uma prancha até uma pedra ilhada próxima e depois a nado até esta ponta de pedra que aparece na sequência de fotos.
Atenção! Esta actividade é extremamente perigosa. Desaconselho vivamente as pessoas que não têm muitos anos de experiência de mar a realizá-la. Mesmo com muita experiência os acidentes acontecem. Seja prudente e não arrisque!

Abraço e saudações piscatórias

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

O mar continua a proporcionar-nos agradáveis surpresas - Mexilhão com 17cm!


Foi num dia com marés grandes que fui mariscar na perspectiva de apanhar uns Perceves e Mexilhões para um petisco ao fim da tarde.
Enquanto andava espreitando entre gretas e fendas à procura dos maiores mexilhões, deparei-me com um mexilhão que me pareceu maior que os outros. Inicialmente não me consegui aperceber do seu real tamanho visto o mesmo estar encoberto por outros, também de tamanho considerável. Quando o agarrei, com o intuito de o retirar da rocha, apercebi-me que estava bem preso à mesma. Peguei na arrilhada e tentei retirá-lo com a sua ajuda mas a tarefa avizinhava-se morosa dado que se encontrava preso numa fenda, devido ao seu tamanho anormal. Com alguma insistência e jeito lá consegui remover o dito cujo da rocha. Para meu espanto, tratava-se de um mexilhão com dezassete centímetros de comprimento!





São poucos os exemplares que conseguem atingir este tamanho dado a forte procura que este marisco tem junto de pescadores e mariscadores. No entanto, em algumas zonas menos batidas pelos apanhadores e de difícil acesso, ainda continuam a aparecer exemplares que nos proporcionam agradáveis surpresas.

Abraço e saudações piscatórias

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Marafados on Tour – Fishing Trip – Açores 08/2009

Aquilo que poderia parecer umas férias de sonho, ia-se transformando num pesadelo! Tudo porque a transportadora aérea não ajudou e muito menos o tempo. Se por um lado as canas se extraviaram durante dois dias, por sinal os melhores dias, por outro o Verão parece não ter chegado a esta maravilhosa ilha que é o Corvo. Até mesmo o peixe parece ter seguido o exemplo dos do continente e andou um pouco arredio.

A Ilha


A ilha do Corvo é a mais ocidental e a mais pequena das nove ilhas que constituem o Arquipélago dos Açores. Grande parte da ilha não é acessível, pelo que concentra-se a sua população na Vila do Corvo. A maior atracção turística da ilha é o Caldeirão. Uma cratera vulcânica, a qual tem no seu interior uma lagoa, situada no alto da ilha. Outras atracções são a sua fauna marítima e terrestre. De destacar os seus fantásticos spots de mergulho, com uma diversidade de espécies marinhas fora do comum, as aves e as flores endémicas daquela ilha fazem com que vários turistas lá se desloquem propositadamente para as observar.

População


Esta ilha tem a característica de ter pouco mais de quatrocentos habitantes, todos eles de bom trato e afáveis. Outro pormenor a assinalar é a hospitalidade destas gentes. A sua disponibilidade é outra das características destes habitantes, fazendo deles os melhores anfitriões com quem já tive a oportunidade de conviver.
As pessoas dedicam-se, na sua maioria, à agropecuária e à pesca ou conjugam as duas actividades, dado que a pesca só é possível no Verão.

Gastronomia

Mal cheguei e os anfitriões, o Sr. Orlando Silva e sua esposa D. Maria Fernanda Silva, tinham preparado um dos pratos mais apreciados e característicos desta “Pérola do Atlântico” que são as Lapas. “Lapas ao Natural” (vivas!); “Lapas Assadas no Forno” e “Arroz de Lapas”. Simplesmente deliciosas!
Outras delícias foram o “Pudim de Peixe”, a “Caldeirada de Bicuda” e a “Bicuda Frita”. Esta última, frita, depois de repousar numa vinha de alhos.
Mas não foram só os pratos confeccionados pelos anfitriões que fizeram as delícias dos comensais. Foram também preparados por mim alguns dos peixes capturados, de onde se destacam o “Pargo no Forno” e o “Enxareu Escalado”, com molho à Algarvia.

Pesca


“Em Roma sê Romano”, foi este o lema pelo qual me regi.
Chegado à ilha, rapidamente tentei beber alguma informação que me pudesse orientar nesta minha aventura pelos Açores. Ainda na Aerogare do Corvo, interpelei o Sr. Orlando sobre o tipo de pesca a praticar e os peixes existentes naquela ilha. Fui informado que, pouco tempo antes da minha chegada, tinha-se realizado um concurso de pesca em que os Sargos tinham sido capturados às centenas de quilos, tendo os mesmos sido distribuídos pela população e pela Santa Casa de Misericórdia. Alguns acabaram no lixo, tal foi a quantidade! De imediato, a pesca ao Sargo foi colocada de parte.
Concentrei-me, posteriormente, no Spinning e no Jigging como modalidades de pesca a explorar.

Spinning


Foi num fim de tarde cinzento que, com algum vento à mistura em que o mar apresentava uma ligeira vaga de dois metros, fui tentar apanhar umas Bicudas e Anchovas spinando de terra. O peixe não colaborou, ao que me disseram, devido às adversidades climatéricas apresentadas naquele dia. A presença de algum limo, à tona de água, também contribuiu para o insucesso.

Jigging


Foi este o tipo de pesca eleito, dado que a captura de grandes peixes foi uma das razões que me levaram a escolher os Açores, e a ilha do Corvo em particular, para passar as minhas férias piscatórias.
Depois de travar conhecimento com as gentes da terra ligadas ao mar e à pesca, foi-me indicado pelo meu Amigo Luís Silva, o Mestre José Eugénio Freitas como o melhor pescador daquela ilha, e um dos melhores do grupo Ocidental.

A Pescaria


Combinada a pescaria, pelas oito horas da manhã saímos na embarcação denominada “Iasalde”. Um barco de ferro com dez metros de comprimento que se destina à pesca com “roda” e “salto e vara”. Os peixes capturados mais frequentemente são: o Lírio ou Irio, o Goraz, o Alfonsim, o Mero, o Cherne, o Bonito, o Atum, o Pargo e a Garoupa.
Chegados ao primeiro local de pesca, na costa ocidental da ilha, o qual distava poucas centenas de metros de terra, e a profundidade da baixa ia para as quarenta braças! Arriada a zagaia e rapidamente me apercebi da inexistência de peixe naquele local. Mudamos de local e de tipo de pesca.
Afastados cerca de uma milha de terra e a profundidade marcada na sonda era de trezentas e cinquentas braças! Qualquer coisa como seiscentos e cinquenta metros de profundidade… A pesca que se seguia era dirigida ao Goraz, ao Alfonsim, ao Cherne e a outros peixes da profundidade, executada com a “roda” e com recurso a poderosos carretos eléctricos, capazes de suspender cento e cinquenta quilos de peso!
A vaga de três metros e a forte corrente levou à utilização de uma pedra de dois quilos como lastro, não evitando desta forma que o aparelho de pesca demorasse cerca de trinta minutos até atingir o fundo. Este tipo de pesca é feito à deriva devido à profundidade e às condições atmosféricas e marítimas que se apresentavam na altura.
De volta ao Jigging, dirigimo-nos para uma baixa a setenta braças de profundidade onde fundeamos. Arreei a zagaia e ao primeiro toque ferrei um Pargo que de pronto o Mestre Freitas embicheirou para bordo. Nos Açores o bicheiro denomina-se de croque.
Mudados de local e à deriva, numa baixa a vinte e cinco braças de profundidade, o primeiro toque e consequente ferragem, foi um Enxareu. No mesmo local ainda capturei uma Bicuda, um Enxareu e tranquei um Mero que logo entocou, sendo impossível retirá-lo.
Novo local, entre quinze a vinte braças de profundidade, e saem logo duas Bicudas. Tranco duas Anchovas mas, mesmo com arame de aço a servir de estralho, conseguem cortá-lo e fugir. Novamente a zagaia para baixo e prendo uma Garoupa à qual se atira um Mero. Tento trabalhar o peixe mas, devido ao seu peso e à proximidade da sua toca, não foi possível retirá-lo, expelindo a Garoupa, a qual se encontrava embuchada.
Findo o dia de pesca, regressei a terra com uma imensa alegria por ter sentido momentos de pura adrenalina em que estamos a travar um combate com grandes peixes que nos transmitem uma sensação de luta de igual para igual, dado que o seu tamanho e o meio ambiente onde estão inseridos conferem-lhes o estatuto de Reis dos Oceanos.

A não perder

- Caldeirão do Corvo
- Moinhos
- Praia da Areia
- Porto da Casa
- Mergulho em apneia ou com garrafas
- Pesca da costa ou embarcada
- Pesca submarina
- Observação de aves
- Flora

Portfólio

         

          

          

         

          

Agradecimentos especiais

Família Silva (Sr. Orlando, D. Maria Fernanda e o Luís), os anfitriões; Padre João Carlos; Enfermeira Goreti; Dr. João Cardigos; Mestre José Eugénio Freitas; Nelson Sousa (equipamento); Rui Mimoso (LojaTudoPesca) e Fernando Encarnação.


Abraços e saudações piscatória