segunda-feira, 22 de junho de 2009

Eu não queria, mas…


…lá acabei por ceder e ir! Geralmente, não costumo pescar ao fim de semana porque gosto mais de pescar durante a semana. É mais sossegado e tem menos pescadores. Mas como os Amigos António, Cardoso e Nuno insistiram, acabei por ir. Só faltou mesmo, a este grupo unido, bem disposto, humorado e amante da Pesca Ilhada, a presença do pai do Nuno.
O dia começou bem cedo com o grupo a deslocar-se a um sítio, no intuito de verificar as condições do mar. Nesse local ficou constatado que não existiam condições para a prática da Pesca Ilhada, dado que o mar galgava a pedra para onde, supostamente, estávamos a pensar ir. Rumamos a outro local onde verificamos que existiam condições dado que neste tipo de pesca têm que ser bem avaliadas as condições do mar.



Enquanto o António apanhava umas unhas para o petisco o Cardoso estava embarbelado com as Safias. O Cardoso ia estrear a sua nova aquisição: uma cana…ProSafias! E revelou-se um grande Pró das ditas. Por falar em canas, gostaria aqui de dissertar um pouco sobre o tipo de canas apropriadas a este tipo de pesca. As canas mais indicadas são as de 4,5/5mts porque esta pesca é feita ao mesmo nível do mar e junto à pedra. Aquando da ferragem do peixe, tem que se apertar logo com ele porque senão ele vai à pedra e parte, pelo que as canas deverão ser rijas e ter uma ponteira média, até 200gr. As linhas é que deverão ter uma grande elasticidade para aguentar as investidas iniciais.



Uma águagem linda e mar de feição mas os Sargos só entraram com a maré mais grossa. Anzóis de molho e começam logo a sair os primeiros peixes. A maré estava vazia pelo que as impressões iniciais eram favoráveis, esperando-se boas capturas. Só que não passou disso. Excepção feita às Safias, que fizeram as delicias do Cardoso com a sua cana nova. O peixe só começaria a entrar, novamente, de meia maré para cima. Só que a essa hora já não se aguentava o sol em cima da pedra. O mar também começou a apertar e, devido a estes dois factores, fomos obrigados a levantar ferro.
Foi uma manhã excelentemente bem passada com bastante humor à mistura. São pescas destas que fortalecem os laços de amizade e nos fazem ter vontade de pescar sempre. Para finalizar, um abraço de agradecimento ao Amigo Rosa que nos indicou que naquele spot morava peixe.


Abraço e saudações piscatórias

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Apanha de Isco - Camarão da Pedra

Agora no Verão, com pouco mar e águas lusas, nada melhor para qualquer tipo de pesca e de peixe que o camarão da pedra, vivo. Parecem rebuçadinhos e os peixes chamam-lhe um figo! Para tal vou aqui exemplificar como se apanha este camarão. Bastam duas narsas e quatro sardinhas para o efeito. Este camarão é mais fácil de apanhar durante a noite nos molhes e pontões. Segue-se reportagem fotográfica comentada.

Embrulhe duas sardinhas em rede de saca de batatas. Isto serve para que os caranguejos (furta camisas, verdes, navalheiras e moiros) e os búzios não levem ou comam as sardinhas, que servem de isco.

 Coloqueas, juntamente com uma pedra de calçada, dentro da narsa. A pedra de calçada serve para afundar a narsa e evitar que esta ande de um lado para o outro, e enroque.

Olha para eles a sorrir para mim!

 Passados quinze minutos dentro de água, este é o resultado do primeiro puxe com duas narsas.

Mudando de lugar e mais quinze minutos, este é o resultado final. Mais de duzentos camarões da pedra. O suficiente para duas pessoas pescarem durante um dia.
Estas narsas são de fabrico artesanal e também servem para apanhar outro tipo de iscos. Eu, pessoalmente, prefiro apanhar o meu próprio isco do que estar a gastar dinheiro nele. Dá mais trabalho e gasta-se tempo, mas é gratificante. Nada como ser autosuficiente, em tudo!

Abraço e saudações piscatórias

quinta-feira, 18 de junho de 2009

1, 2, 3…acabou o prazo!!!

Seis da manhã, 23ºC. Dez da manhã, 30ºC. Onde é que isto vai parar?
Equipamo-nos e fizemo-nos à água. Quando cheguei em cima da pedra ilhada não estava molhado. O suor escorria-me! Foi hoje de manhã em mais uma Pesca Ilhada com o Nuno. O relato é simples, curto e rápido.



O mar de leva não estava para brincadeiras, mas era a única solução, visto a costa estar cheia de limo. Anzóis na água e…duas vezes seguidas limo! Novamente os anzóis na água e…ramboia (peixe miúdo)! Anzóis na água e…duas vezes seguidas limo! Novamente anzóis na água e…Sargo de 500/600gr! E por ai fora, sucessivamente. No total apanhamos seis Sargos com medida (500/600gr) e oito sem, que devolvemos à água. Isto tudo numa hora de pesca efectiva, porque o mar não permitiu mais.



Abraço e saudações piscatórias

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Pesca no Laredo

Os laredos são os prolongamentos das arribas, ao nível do mar, que entram mar dentro.
Como se previa vento forte de Noroeste, como veio a acontecer, optamos por ir pescar para os laredos, visto não haver condições para fazer a nossa pesca de eleição: a ilhada! Desta vez, o meu camarada de pesca foi o António. Depois de assomar-mos ao mar, decidimos, unanimemente, que o local pretendido tinha que reunir três condições: abrigar do vento, proteger do mar e ter profundidade suficiente, visto que a maré já vinha de meia para baixo. Não foi muito difícil escolher o local dado os conhecimentos acumulados ao longo dos anos em relação a pesqueiros.
Estacionado o carro no cimo da arriba, toca a descer os cem metros de altura da arriba, constituída por quatro lances de cabo. Depois uma caminhada por cima de rebolos e laredo até chegar-mos ao local previamente escolhido do cima da arriba. Chegados ao local, optámos por pescar ao reboliço ou engana porque, apesar do vento ser menos que noutros locais, sempre se fazia sentir.
Anzóis dentro de água e começamos logo a sentir toques que nos indiciavam que no local morava peixe. E eis que o António ferra um peixe que, pelo trabalhar, lhe indicava ser um robalote, o que veio a consumar-se. Peixe virado e novamente anzol na água. Passado pouco tempo, ferro um peixe. Um sargo. O António ferra outro sargo de seguida. O dia de pesca prometia. O mar e o vento continuavam a apertar e com a maré quase lambida optámos por mudar de local.
Chegados ao novo local, próximo do anterior, anzóis na água e o António apanha logo um sargo. Eu sigo-lhe as peugadas e apanho dois seguidos. Mas eis que, com a maré toda escorrida, começa a cumular-se limo e fomos obrigados a dar a pesca por terminada. Este limo é o resultado da agitação marítima e do aquecimento das águas que, em poucos dias, passou dos 16ºC para os 19ºC.
Para rematar esta manhã de pesca e para servir de entrada para a refeição, decidimos apanhar umas unhas.

O dia seguinte

No dia seguinte as condições eram quase idênticas, à excepção do vento. O mar era de leva (ressaca da agitação marítima provocada pelo vento) com ondulação entre os dois metros e meio e os três metros.
O primeiro sítio escolhido foi um pesqueiro de falésia, dado a agitação marítima e o estado da maré. Nesse pesqueiro apanhei dois Sargos e o António outro. Com a vazante e porque as marés eram pequenas optámos por ir, novamente, para os laredos. Chegados à arriba, descemos a encosta, serpenteada, virada a Norte, até atingirmos a praia e uma zona de rebolos e laredo, onde fomos mariscar.


     

Depois de apanhadas umas unhas, lapas e mexilhão, recomeçamos a pescar. Mas a forte ondulação e o limo, goraram-nos as expectativas. Voltamos, novamente, para o carro e fomos até ao pesqueiro onde tínhamos estado anteriormente, dado que a maré já estava de meia para cima e naquele sítio costumam morrer uns peixes com aquele estado de maré. Mas, puro engano! O peixe não colaborou e acabamos por voltar, novamente, ao carro, cansadíssimos.
Resumindo e concluindo. Existe muito limo na costa; o peixe anda arredio e não encosta; a única pesca que tem dado bons resultados, tem sido a Pesca Ilhada.

Abraço e saudações piscatórias

N.R. A primeira foto não corresponde ao local nem aos dias de pesca. Serve, somente, para exemplificar o que são laredos.

Eles andam ai!!!

Os Robalos, Douradas e Sargos? Não! A G.N.R.? Não! Os vigilantes do ICNB e PNSACV? Não! Então quem é que anda ai? São os amigos...do alheio!
Ontem foram assaltados mais quatro carros nos pesqueiros da Costa Vicentina. Três deles pertenciam a pescadores e o outro a um turista. Todos os anos é o mesmo problema com a chegada da época balnear. Muitas das vezes não é o valor das coisas roubadas mas os prejuizos que causam nas viaturas, neste caso os vidros partidos e os carros vandalizados.
Aquando do defeso imposto pela Lei, era possivel ver a G.N.R. a fiscalizar, conjuntamente com os vigilantes do ICNB e PNSACV. E agora onde é que eles andam? Será que o pescador, ao pagar os seus impostos e licenças, não terá direito à protecção dos seus bens e haveres?
No outro dia li um artigo que dizia que a época balnear iria começar mais cedo nalguns concelhos da região. Será que a vigilância, por parte das autoridades competentes, não fará parte do plano de segurança dos turistas, banhistas e pescadores que frequentam as praias e a costa? Ou será que essa vigilância só é feita durante os meses de defeso do Sargo e no mês de Agosto, com o turismo de massas?
É urgente que se ponha cobro a esta situação porque o que se está a passar não é benéfico para ninguém. É a imagem de uma região e de um país que está a ser "beliscada" por delinquentes que se aproveitam da falta de segurança nesta zona. Urge rectificar esta situação. Mais segurança, precisa-se!

Abraço e saudações piscatórias

terça-feira, 16 de junho de 2009

Ilhada e…mais nada!!!

Como tem sido a pesca mais rentável, e nos dias anteriores o peixe tinha colaborado, decidimos novamente fazer uma ilhada. Desta vez levamos connosco um estreante nestas andanças: o Nuno. Quero deixar um conselho aos estreantes neste tipo de pesca: Ouçam e respeitem os conselhos e ensinamentos dos mais velhos e experientes! A calma e saber esperar, é tudo!
Se nos dias anteriores havia muita ramboia (peixe miúdo), este dia não fugiu à regra. Dos meus primeiros oito peixes, só os últimos dois é que tinham medida. Os outros foram devolvidos ao seu meio, a água. As capturas foram-se sucedendo com a vazante, até que com a maré toda escorrida paramos de pescar, dado que o peixe não tinha condições para se aguentar dentro das pedras devido ao mar de dois a dois metros e meio. Este mar foi o resultado do vento de Noroeste que no dia anterior tinha carregado.



Depois de uma pausa de cerca de duas horas, recomeçamos a pescar com mais algumas capturas. Entretanto o Nuno apanhou uma Garoupa, devido à profundidade existente no local, para além da cintura de pedra que rodeia a ilha, a qual cai para os vinte/trinta metros.

Mesmo com o aparelho alvorado fundeado que se encontra na zona, ainda consegui apanhar um Robalote. Os pais e os avós estavam presos nos anzóis do aparelho.


Continuamos a apanhar uns peixes até que os Peixe-Porco entraram em acção, novamente. Se nos dias anteriores estavam por fora das pedras, hoje decidiram entrar dentro das pedras mesmo com o mar que se fazia sentir. Engodados pelo Pilado que serve de isco aos aparelhos, não nos davam descanso. Ainda apanhamos meia dúzia cada um e decidimos que estava na hora de levantar ferro, visto não darem hipóteses aos outros peixes de atacarem a isca. Isto de estar a apanhar Peixe-Porco é o mesmo que descer de divisão!



A técnica de pesca utilizada foi o reboliço e o isco foi constituído por lapas, gambas e furta camisas. Cada um apanhou à volta de quinze a dezassete peixes. Nada mau para os dias que correm em que, cada vez mais, o peixe anda arredio.


Abraço e saudações piscatórias

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Peixe Assado no Forno


Ingredientes (3Pax)
Sargo 1,2Kg
600gr Batatas Pequenas
2 Cebolas
8 Dentes de Alho
1 dl de Azeite
2 Malaguetas Pequenas
Pimentão Doce q.b.
2 Raminhos de Alecrim
2 Folhas de Louro
Sal q.b.

Depois do peixe amanhado, unte a forma com azeite e faça uma cama de rodelas de cebolas, à medida do peixe, e coloque-o sobre ela. Disponha as batatas ao redor do peixe e salpique tudo com sal. Cubra o peixe com rodelas finas de cebola e alho. Polvilhe tudo com pimentão-doce e coloque as malaguetas, o louro e o alecrim de forma distribuída.
Leve ao forno, a 250º, durante meia hora, depois de ter começado a ferver. Retire e sirva acompanhado com uma Reserva Tinto 2007 ACR – Adega Cooperativa do Redondo.
Bom Apetite!

Truques e dicas
A cama de rodelas de cebola tem como objectivo evitar que o peixe se agarre ao fundo da forma.
Nos primeiros 10/15min, coloque uma folha de alumínio a cobrir o peixe de forma a evitar que este fique muito queimado.
Para acelerar o início da cozedura, ferva um púcaro com água e adicione.



Abraço e saudações piscatórias

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Mais uma manhã... Ilhado!

Caríssimos,

Para variar, resolvi efectuar mais uma pesca matinal ilhada numa das minhas pedras preferidas!
Nesta altura do ano, a minha pesca é somente... a ilhada e spinning!

Reunidas as condições (pouco mar, vento nulo e tonalidade azul turquesa, já diz o meu amigo Paulinho e muito bem, a água é que mata o peixe), joguei-me ao mar pela praia!

Quando subi para a pedra, estive cerca de 10 minutos a observar o mar quando detectei a presença de peixe na pedra a dar de barriga!

Após os primeiros lançamentos à chumbadinha, apanhei alguns peixes pequenos de imediato devolvidos à sua procedência. Como esta toada mantia-se repetidamente, optei por mudar de arte e colocar uma boía pequena com uma chumbada de 20gr colocando um terminal de 0,20 monofilamento da Trabucco. Revelou-se então uma estratégia mais acertada: o peixe maior "morria" melhor neste dia à boía!

Perdendo alguns e apanhando outros, remeto em baixo o resultado de uma manhã com um tempo esplendoroso em cima da pedra!

Isco: Furta Camisas, Mexilhão, Perceve e Lapa, estes 3 últimos apanhados em cima da pedra
Material: Tica Rocha Sargo 5,40m, Tica Taurus 4000s, 0,20 mono da Trabuco, 0,23 mono Sufix, anzóis nº1 da Mustad.

Abraço e até breve!

Nuno Caçorino

4 Horas Matinais... Ilhado!

Caros Leitores,

Devido a condicionalismos profissionais (agenda super preenchida), optei por ir fazer uma pesca ilhada de 4 horitas com intuito de matar o bichinho deste magnífico hobbie que tanto adoro! Como o mar era pouco e a maré estava vazia, resolvi seleccionar uma pedra ilhada que nestas condições costuma dar alguns resultados favoráveis. Como não tive tempo no dia anterior de ir apanhar ou comprar isca.... não me restaram muitas opções senão proceder à apanha da isca em cima da pedra: o isco natural apanhado em cima da pedra onde pescamos, é quase sempre, garantidamente o melhor!
Lapa e Mexilhão foram os eleitos! Tratei de armar a minha Barros Game 4 de 4,80 (ponteira original substituída por uma de barba de baleia mais curta), carreto Tica Taurus 4000s e chumbadinha dentro de àgua. Gostaria de ressalvar que esta montagem é das simples possíveis uma vez que pesco directo ( bobine com 0,25 monofilamento). Começei a sentir os primeiros toques e pela minha sensibilidade indicou-me a presença de peixe pequeno.

Com o encher da maré, o peixe maior apareceu para mariscar na pedra e a partir dessa altura começei a ferra-los! Devido à morfologia do fundo (constituída por muitos caneiros pontiagudos), os maiores sargos partiam quase sempre, dado que o peixe com as suas defesas e infíma sabedoria corre logo para a pedra com o objectivo de roçar a linha na mesma para... partir! Nem davam hipotese, apesar dos meus esforços em colocar a cana ao alto com apenas o braço direito levantado para que os sargos não tivessem margem de resposta no arranque. Com muita pena minha, estamos a falar de sargos bem superiores a 1 kg...

Com a maré a meia altura, o mar começou a galgar a pedra e obrigatoriamente, tive que arrumar as coisas e saltar para a àgua para não ser colhido por uma daquelas "desmandadas"! E sozinho... nunca se deve ir para uma pedra ilhada! Este tipo de pesca, não facilita nem promove a segurança e ao mínimo erro... um azar fatal poderá ir ao encontro do nosso caminho!

Deixo aqui as fotos dos peixinhos!


Para a próxima,... há mais! Abraço para todos vós e continuação de boas capturas!

Nuno Caçorino

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Mais que um relato… é a (nossa) vida!!!

Quantas vezes abrimos o jornal ou a Tv e vemos que morreu mais um pescador desportivo? Essas são as notícias que temos conhecimento. E as outras que não se falam ou fala-se à boca pequena, porque não se quer que o assunto se espalhe? Mais que um facto, é uma realidade. Os acidentes na pesca acontecem! Agora temos é que preveni-los ou, no caso de acontecerem, tentar minimizá-los e aprender com eles. Foi o que se passou na minha penúltima pescaria.
Fui fazer mais uma pesca ilhada, e escolhi uma pedra em forma de rampa. Só o facto de a pedra apresentar esta forma, por si só, é um risco. Mas se lhe juntarmos o mar um pouco agitado, esse risco cresce exponencialmente. Esta pedra ilhada é composta por duas pedras, quase ligadas entre si, mas separadas por um salto de um metro. A pedra é formada por dois patamares, sendo que um deles fica, sensivelmente, a dois metros do nível do mar e o outro um metro acima deste.
Estava a pescar na pedra de fora e, de vez em quando, o mar vinha e chegava-me até aos joelhos. Mas nada de significativo. Até que vêm dois mares seguidos e eu pensei: “o primeiro não é grande e consigo aguentar-me, enquanto que o recuo do primeiro mata o segundo”. Só que não foi bem assim. O primeiro consegui aguentar-me, e o recuo deste ainda encapelou mais o segundo, devido ao relevo da pedra.
Resumindo e concluindo: levantou-se um mar que eu não previa. Soluções? Temos que ser rápidos a pensar e ainda mais rápidos a agir. Se não conhecermos o chão que pisamos, então estamos feitos. E se somos apoderados pelo medo, estamos fritos! Rapidamente, escudei-me por trás dum patamar e agarrei-me, com uma mão à rocha e outra à cana. O mar veio e lavajou a pedra toda, exercendo uma força tamanha que não aguentei. Era a força que ele fazia em mim, mais a força que fez na cana. Esta última, foi de tal forma, que tive que largar a pedra e deixar-me ir. Resultado: fui parar à água!
Depois de estar dentro de água, aquele mar que em cima da pedra parecia quase chão, de facto, era do tamanho de cerros. Nesta situação temos que manter a maior das calmas e tentarmos perceber qual é a situação em que nos encontramos. Esperar que o mar acalme, nadar para perto da pedra, colocar a cana em cima dela e subir para a pedra, de novo. Foi o que aconteceu.
Ao chegar em cima da pedra é que o coração disparou, e começou a bater que nem um louco. O susto já tinha passado. Era mais um para juntar a outros tantos. Continuei a pescar, e nesse dia, em duas horas e um quarto de pesca efectiva, apanhei vinte e sete Sargos, tendo devolvido à água seis por falta de medida. Desses vinte e sete, quinze foram seguidos. Uma iscada, um lançamento, um peixe. Os peixes variavam entre as 300gr e as 700gr. Pesquei ao reboliço com uma linha 0,24mm 100% fluo, onde coloquei um chumbo de correr, em forma de oliva, com 12gr e um anzol 1/0. O isco utilizado foi o Ralo.



Abraço e saudações piscatórias

Mais uma Pesca Ilhada…

Quando cheguei em cima da pedra, já o Nuno e o António tinham uma boa pesca. Eu, porque nessa semana já tinha ido à pesca quatro vezes, optei por me juntar a eles posteriormente. O corpo também precisa de descanso e, neste tipo de pesca, o esforço é muito desgastante. Descer arribas; dar à barbatana; pescar; fugir do mar; dar novamente à barbatana e subir arribas, não é tarefa fácil e se se multiplicar por quatro, imagine-se...
Eles começaram por spinar logo de manhã mas sem resultados. Depois optaram por realizar outro tipo de pesca, conseguindo obter resultados positivos. Foi quando eu cheguei.

Atracagem









Estava um dia excelente para a Pesca Ilhada: sol, o mar de feição, uma ligeira brisa e muito peixe em cima das pedras imersas que rodeiam a pedra ilhada. O grande problema era mesmo o peixe miúdo. Cada vez que se jogava a pesca para dentro de água, começava-se logo a sentir aquele rumor na linha. Era só tic-tic e nada! O peixe miúdo não dava tempo aos maiores para estes atacarem o isco. Só à minha parte, joguei uns vinte peixes sem medida à água.
Enquanto o Nuno e o António pescavam com furta camisas, eu optei por utilizar ralos. Cada vez que iscava, tinha que prender o ralo com fio elástico porque o peixe miúdo desiscava muito. Mesmo os peitos do caranguejo, que são duros, voavam do anzol.
Como o peixe andava a comer em cima das pedras e o fundo é uma pedra cerrada, optamos todos por pescar ao reboliço. A água estava toda aberta e o mar mexia bastante, sendo que, por cima a água estava leitosa (oxigenada) e no fundo lusa. Dado que existiam grandes peixes, optei por uma linha 0,24mm 100% fluo, onde coloquei um chumbo de correr, em forma de oliva, com 12gr e um anzol 1/0.
Ao segundo ou terceiro lançamento, ferro um belo sargo entre 1Kg/1,2Kg, todo negro, fazendo lembrar os sargos de arribação. Aquela tonalidade deve-se ao facto dos sargos andarem entocados e não apanharem luz e, quando o mar aperta, eles saem para fora com aquela cor da penumbra das tocas.


O meu maior exemplar do dia

Entre Sargos de 300/500gr, o António ferra uma Dourada a rondar o quilo. Passado um bocado o Nuno deu com os Peixe-Porco e começou a apanhá-los. Os sargos iam saindo a bom ritmo até que o mar fez das suas. Veio um mar daqueles maiores e levou o balde com os caranguejos e os ralos. Solução de recurso foi encontrada desde logo, com a utilização de mexilhão e lapas, como isco. E em pouco tempo as lapas começaram a fazer estragos, com o Nuno e o António a apanharem dois bons sargos.


A pesca do Nuno e do António

Entretanto o mar começou a levantar-se e, depois de muitos banhos, resolvemos levantar ferro. Longo percurso de volta, porque no sitio onde tínhamos entrado o mar não dava condições para sair. E para finalizar, uma caminhada até ao carro.
Gostaria ainda de referir uma coisa, para que não hajam dúvidas nem mal entendidos. Os aparelhos não fazem mal a ninguém! Isto, porque a pedra ilhada para onde fomos, estava rodeada de aparelhos alvorados fundeados. Os pescadores vieram, tiraram o peixe do aparelho, iscaram-no novamente, o aparelho continuou a pescar e nós estivemos sempre a apanhar peixe. O problema são as outras artes, como as redes e os covos. As redes, mesmo depois de perdidas, continuam sempre a pescar. Os covos, depois de perdidos, metem-se nos buracos formando uma barreira, não permitindo ao peixe refugiar-se. Pelo contrário, os aparelhos, depois de perdidos, já não pescam e o seu impacto é muito reduzido porque, proporcionalmente, é utilizado muito menos nylon, plástico e chumbo, do que nas outras artes.


Abraço e saudações piscatórias

N.R. Peço desculpa pela qualidade das fotos e filmes, mas foram feitos com recurso a um telemóvel. Os filmes referem-se à atracagem à pedra.